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Frente Parlamentar
pela Luta Contra o HIV/AIDS e a
Tuberculose do Estado do Rio de Janeiro.
Carlos Basilia
Psicólogo e ativista Social
Instituto Brasileiro de Inovações em
Saúde Social - IBISS
Secretário Executivo - Fórum ONGs
Tuberculose – RJ
Introdução:
A Frente Parlamentar é suprapartidária e
tem como objetivo implementar políticas
públicas de combate e prevenção a
TB/HIV/Aids. A Frente, uma iniciativa do
Dep. Gilberto Palmares do PT, foi criada
através de aprovação em plenário na
ALERJ, do projeto de resolução 272/08,
tem como objetivo dar visibilidade aos
males – sobretudo à tuberculose – que
vitimam muitas pessoas no estado do Rio.
A tuberculose é uma doença que deveria
estar erradicada, mas continua matando
muito no Rio, principalmente as pessoas
mais carentes. A Frente buscará, então,
centralizar o esforço da Assembléia na
análise de dados e estatísticas as
incidências destas doenças, além da
criar de um espaço que dê visibilidade e
publicidade a este tema e funcionará
também como um órgão fiscalizador das
ações do Poder Público estadual no
combate aos males.
A criação dessa
Frente Parlamentar é resultado de uma
ação articulada entre os Fóruns Estadual
das ONGs na Luta Contra a Tuberculose e
o Fórum ONG/Aids-RJ, com a ALERJ, por
meio do mandato do Dep. Gilberto
Palmares.
A parceria
estratégica do movimento social de luta
contra a Aids e Tuberculose com o poder
legislativo Estadual, tem se mostrado
uma importante estratégia para ações
mais efetivas de controle da TB e da
co-infecção TB/HIV no Estado do Rio de
Janeiro
É Antiga mais não
é passado.
A tuberculose (TB) é uma das
enfermidades mais antigas do mundo. Mas
não é uma doença do passado como muitos
imaginam. Segundo estimativas da OMS,
dois bilhões de pessoas, o que
corresponde a um terço da população
mundial, está infectada pelo
Mycobacterium tuberculosis. Destes 8
milhões, desenvolverão a doença e 2
milhões morrerão a cada ano.
O Brasil ocupa o 18º
entre os 22 países responsáveis por 80%
do total de casos de tuberculose no
mundo. Aproximadamente 10% dos pacientes
com TB são também co-infectados pelo
HIV, e a TB é a principal causa de morte
de pacientes com Aids.
Estima-se uma
prevalência de 50 milhões de infectados
com cerca de 72,8 mil casos novos e uma
alta taxa de 4,5 mil óbitos ocorrendo
anualmente (35% do total das Américas).
A alta taxa de mortalidade por
tuberculose uma doença que tem cura,
esta associada ao diagnóstico tardio ou
assistência de má qualidade, e um
elevado número de abandono do
tratamento, um quadro muito distante da
meta nacional, que é curar 85% dos casos
diagnosticados e reduzir o abandono a
taxas inferiores a 5%. (M. Saúde).
O Rio de Janeiro se
destaca no quadro nacional por
apresentar, historicamente, a maior
incidência de tuberculose do país (90 /
100.000 habitantes). Anualmente são
registrados 17 mil novos casos no
estado, o que representa 20% das
notificações no Brasil. Estima-se que
20% dos doentes não são diagnosticados,
mantendo a cadeia de transmissão, e
muitos casos somente são descobertos
após a internação ou óbito. Além disso,
por falta de informação e acompanhamento
adequado, cerca de a 25% dos doentes
abandonam o tratamento Na Rocinha, uma
das áreas mais afetadas do município do
Rio, seriam 50 casos novos por mês.
A cada dia a
tuberculose continua a avançar de forma
devastadora principalmente nos segmentos
mais vulneráveis da população, crescendo
acentuadamente nas periferias, nos
bolsões de pobreza, entre a população de
rua, encarcerados e pessoas vivendo com
o HIV/AIDS.
Essa situação deve-se
a fatores como: desigualdade social,
concentração populacional e processo de
urbanização desordenado, as más
condições de vida das camadas mais
pobres da população, além da
desestruturação dos serviços públicos de
saúde.
Em virtude da falta
de informação, muitas pessoas não
reconhecem os sintomas da doença, não
procuram o serviço de saúde para o
diagnóstico, e por falta de
acompanhamento adequado abandonam o
tratamento precocemente, contribuindo
para a disseminação da doença e para que
ela se torne mais resistente aos
medicamentos. Ou seja, a falta de
informação sobre a doença e a
dificuldade de acesso a serviços de
saúde contribuem para que a doença se
alastre e, em muitos casos, torne-se
fatal.
Uma grande parte dos
doentes não são diagnosticados, mantendo
a cadeia de transmissão, e muitos casos
somente são descobertos após a
internação nos hospitais de emergência
ou óbito.
A situação é
calamitosa em nosso estado/município, no
que tange à questão dos TB-MRs,
sobretudo, nos seguintes pontos: demora
inadmissível dos resultados de testes de
sensibilidade (muitos resultados chegam
bem depois do término do tratamento);
falta de apoiamento social adequado para
estes pacientes, muitos deles em uso de
esquemas falidos, mantendo, portanto,
positividade do escarro e sem condições
laborativas (seja por necessidade de
biossegurança, seja por más condições
clínicas).
Um dos problemas mais
alarmantes relacionados à tuberculose é
a co-infecção tuberculose-Aids, a
tuberculose tem sido a primeira causa de
óbitos em pessoas vivendo com HIV/Aids.
A Imunodepressão causada pelo HIV
facilita o contágio e o desenvolvimento
da tuberculose. O risco de um portador
da Aids de desenvolver a doença durante
a sua vida é de 50%. E a taxa de
reativação da tuberculose em pessoas
co-infectadas é de 8%.Esses dados são
alarmantes, pois a co-infecção
representa um aumento no risco de óbito
do paciente de 6,5 vezes nos três anos
seguintes à infecção. Segundo o M.
Saúde, estima-se que 600 pessoas sejam
infectadas pelo HIV anualmente, desses
novos portadores, 15% são identificados
como pacientes de tuberculose ativa.
Propostas da
Comissão da Frente Parlamentar em
tuberculose e Hiv/Aids, ao Estado e
Secretarias Municipais de Saúde.
São Prioridades:
1-
Transparência da política
estadual/municipal de controle da
tuberculose, acesso ao orçamento e
planejamento do Programa
Estadual/Municipal de Tuberculose, aos
dados epidemiológicos de incidência,
prevalência, abandono e óbitos por
tuberculose e relacionados à co-infecção
TB/HIV, divulgação da rede de serviços e
unidades de saúde que atendem TB e
co-infecção TB/HIV, conhecimento dos
projetos de pesquisa em execução em
tuberculose e co-infecção TB /HIV,
número e cobertura das unidades de PSF
(Programa de Saúde da Família) e PACS
(Programa Agente Comunitário de Saúde),
fazendo DOTS – Tratamento Diretamente
Supervisionado.
2- Instalação de uma Comissão
Estadual/Municipal de TB e /HIV/Aids,
com a participação de ONGs, Fóruns,
redes comunitárias, Universidade, grupos
de pacientes e gestores da saúde,
assistência e educação para assessorar,
elaborar, implementar e monitorar á
implementação de políticas de emergência
intersetoriais integradas envolvendo
outros serviços municipal para acelerar
o controle da tuberculose e fazer frente
aos crescentes índices de co-infecção de
TB/HIV.
3- Publicação trimestral de um
boletim epidemiológico de tuberculose,
com dados e informações em linguagem
acessível aos não especialistas.
4- Garantia dos benefícios de
transporte (passe livre) e cesta básica
durante o tratamento, supervisionado
DOTS, e auto-administrado, fatores
fundamentais para adesão, diminuição do
abandono e sucesso do tratamento.
5- Aumento dos leitos para
internação para os casos indicados e
mais graves em unidade com medidas de
biosegurança (isolamento) com
atendimento humanizado. Calcular o
quantitativo ideal de leitos para TB e
Co-infecção junto com o
estado/municípios.
6- Intensificar o diagnóstico da
co-infecção TB/HIV, com instauração
precoce do tratamento e quimioprofilaxia.
7- Melhoria do acesso aos
serviços de saúde, unidades e programa
de tuberculose através da rede básica de
atenção à saúde (UBS), acompanhada de
garantia de referência e
contra-referência ágil, e de qualidade e
humanizada, com maior integração das
diferentes esferas do SUS, garantindo-se
acesso ambulatorial e hospitalar.
8- Capacitação de recursos
humanos de nível médio e superior,
voltados para o controle da tuberculose,
desde a formação acadêmica até o nível
de pós-graduação, deve ser objeto de
revisão e priorização, nos seus
conteúdos e carga horária, contemplando
não somente os aspectos biomédicos, mas
também todos os aspectos sociais e
humanos relacionados aos agravos.
9- Atividades de mobilização e
educação comunitária permanentes, apoio
com recursos humanos, financeiros e de
materiais educativos para intervenção
das ONGs nas áreas com grandes números
de casos e junto às populações mais
afetadas como: favelas, populações de
rua e albergados, privados de liberdade
(prisões),
10- Inovação nos modelos de
gestão e abordagem do tratamento
supervisionado, ampliando a cobertura da
estratégia "DOTS Comunitário" em áreas
de difícil acesso e grande carga da
doença, junto a grupos com maior
vulnerabilidade, que considerem as
peculiaridades e dificuldades
específicas, resgatando-se os
determinantes sociais, econômicos e
culturais, muitas vezes negligenciados.
11- Devido à complexidade dos
fatores determinantes da doença,
implementar ações conjuntas, de forma
articulada e integrada no âmbito da
saúde, assistência, urbanização,
habitação, meio ambiente, educação,
justiça, trabalho e renda.
12- Melhoria da vigilância
epidemiológica no estado/ municípios
através do aprimoramento da notificação
dos casos e Agravos por meio do SINAN.
13- Fortalecimento do controle
social, promovendo o combate a
tuberculose junto aos conselhos
municipal de saúde, assistência e
educação.
14- Fomento da Promoção da Saúde
e ações de prevenção, informação,
educação e mobilização em tuberculose em
articulação com o movimento social e
participação das redes comunitárias de
apoio a pacientes e familiares.
15- Promover campanhas de
conscientização de massa sobre a
importância da prevenção e do tratamento
adequado da doença.
16- Envio a câmara de vereadores
de projeto de lei instituindo a semana
municipal de combate á tuberculose
17- Criação de uma rubrica
orçamentária para apoio as atividades e
eventos de mobilização, informação,
comunicação e educação para o Dia
Estadual de combate a Tuberculose (6 de
agosto), e Dia Mundial de luta contra a
Tuberculose - 24 de março.
O
papel das organizações da sociedade
civil na luta contra a tuberculose:
“O Estado brasileiro tem uma dívida a
reparar com as populações vulneráveis a
tuberculose”
*Carlos Basilia, Fórum Estadual das ONGs
na Luta contra a Tuberculose"
Sendo uma doença negligenciada, as ações
governamentais no combate da
tuberculose, estão muito aquém de uma
resposta efetiva de controle, para isso
é preciso facilitar o acesso ao SUS,
oferecer um diagnóstico rápido e um
tratamento de qualidade e humanizado
para a população. O tratamento da
tuberculose deveria ser feito nos postos
de saúde, mas cada vez mais pacientes só
conseguem ter identificada a doença nos
hospitais de grande porte.
Nós, do movimento social de luta contra
a Tuberculose, acreditamos que só
através da mobilização social, do
compromisso político das autoridades,
bem como, da melhoria das condições de
vida da população junto à implementação
de políticas públicas de moradia,
trabalho e renda é que poderemos conter
o avanço da doença.
A retomada da mobilização social na luta
contra a tuberculose no Brasil, através
da criação de Fóruns, Grupos de
Pacientes e redes sociais de luta contra
a tuberculose, é um marco histórico e um
importante instrumento político para
mudar o dramático cenário da doença e a
negligência da saúde junto às populações
mais vulneráveis.
Por isso torna-se fundamental o papel
das organizações civis no enfrentamento
do problema. Além da busca de novos
casos da doença e assistência ao
paciente durante o tratamento, a atuação
das ONGs é muito importante no combate
ao estigma e ao preconceito associados à
doença, e no "controle social". Vigiar,
denunciar e cobrar políticas públicas de
promoção da saúde e combate à
tuberculose.
Também se faz necessário um maior
investimento em pesquisas para a
produção de novas vacinas e medicamentos
mais eficazes que causem menos efeitos
colaterais e encurtem o longo período de
tratamento de pelo menos 06 meses
(principais causas de abandono do
tratamento).
A tuberculose acomete preferencialmente
grupos populacionais em piores condições
sócio-econômicas. São mais atingidas
populações vivendo situação de pobreza,
em situação de rua, privadas de
liberdade, e co-morbidades como TB/HIV/
Aids, motivo pelo qual políticas
públicas voltadas para estas populações
devem ser pactuadas nas três esferas de
gestão de governo. Devido à complexidade
dos fatores determinantes da doença,
ações conjuntas, de forma articulada e
integrada no âmbito da saúde,
urbanização, habitação, meio ambiente,
educação, justiça, trabalho e renda,
devem ser buscados. |