Sociedade de Pneumologia e Tisiologia
do Estado do Rio de Janeiro

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PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE GRIPE / INFLUENZA

Colaboração: Dra. Rená Simões Geraidine Clemente, pneumologista, Secretária de Divulgação da SOPTERJ

O que é Influenza?

A Influenza ou gripe é uma doença viral, aguda do aparelho respiratório, que provoca febre, tosse, dor de garganta, dores no corpo e mal estar. Geralmente benigna e autolimitada, pode em alguns casos apresentar complicações, levando à internação hospitalar e até mesmo ao óbito em casos extremos.

Qual o microrganismo envolvido?

A Gripe é causada pelos vírus Influenza que compreendem 3 tipos de vírus A, B e C. Os mais importantes são os vírus Influenza A e B. Nos vírus Influenza A se destacam os subtipos A/H1N1 e A/H3N2. Os Vírus Influenza B apresentam 2 subtipos.

Quais os sintomas da Gripe?

O inicio da doença, é em geral súbito com febre alta (temperatura acima de 37,8) e tosse. Em seguida podem surgir dores musculares, dor de garganta, dor de cabeça, coriza, mal estar intenso, e tosse seca. Diarréia e vômitos podem aparecer em crianças. A febre é o sintoma mais importante e dura em torno de três dias. Os sintomas respiratórios como a tosse e outros se mantêm em geral de três a cinco dias após o desaparecimento da febre. Alguns casos podem apresentar complicações graves, como pneumonia, podendo necessitar de internação hospitalar.

Qual a diferença entre Gripe e Resfriado?

Gripe e resfriado são doenças distintas, como os sintomas são muito semelhantes as pessoas tendem a achar que são a mesma doença. Ambos são causados por vírus, porém de tipos diferentes, a Gripe é causada pelos vírus da família Influenza, já o Resfriado, é causado por vírus diferentes como o Rinovírus, os vírus parainfluenza e o vírus sincicial respiratório que geralmente acomete crianças.

O resfriado é uma doença mais branda, com sintomas mais leves, a febre é menos comum e, quando presente, as temperaturas são baixas, o paciente costuma apresentar, coriza, espirros, congestão nasal, tosse, dor no corpo e dor de garganta leve, mas encontra-se mais ou menos bem disposto, apenas incomodado com estes sintomas. As complicações não são comuns.

A gripe é uma infecção mais grave e na prática costuma-se dizer que a Gripe costuma “derrubar” a pessoa, podendo deixá-la de cama sem a menor condição de exercer suas atividades habituais e de sair de casa para estudar ou trabalhar.

Como se transmite?

De forma direta por meio das secreções das vias respiratórias de uma pessoa contaminada, ao espirrar, tossir ou falar, ou por meio indireto pelas mãos que após contato com superfícies recentemente contaminadas por secreções respiratórias de um indivíduo infectado podem carrear o vírus diretamente para a boca, nariz e olhos.

Quais são as condições e grupos de risco para complicações?

Grávidas, puérperas (incluindo as que tiveram aborto ou perda fetal), adultos a partir de 60 anos, crianças menores que 5 anos, população indígena aldeada, indivíduos menores de 19 anos de idade em uso prolongado de ácido acetilsalicílico (risco de síndrome de Reye, uma doença rara e grave (por isso também, na suspeita de gripe NÃO SE DEVE, SEMELHANTE AO QUE ACONTECE NA DENGUE, TOMAR REMÉDIOS PARA ABAIXAR A FEBRE À BASE DE ÁCIDO ACETIL SALICÍLICO COMO POR EXEMPLO AAS, MELHORAL, ASPIRINA E OUTROS). E ainda Indivíduos que apresentem: Doenças pulmonares crônicas (incluindo Asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica – DPOC), doenças cardíacas, doenças renais, hepáticas, hematológicas, distúrbios metabólicos (incluindo Diabetes Mellitus), Obesidade mórbida, doenças neurológicas, imunossupressão associada a medicamentos, neoplasias, HIV/AIDS ou outros.

Como tratar a Gripe?

Não havendo complicações, o primeiro passo é manter uma boa hidratação e alimentação, fazer uso de medicação sintomática como antitérmicos por exemplo, e repouso.

Nos casos em que os fatores de risco citados anteriormente estão presentes com possibilidades de complicações, ou na vigência de sinais de agravamento, independentemente da situação vacinal, mesmo em atendimento ambulatorial, a critério médico, está indicado, o uso de fosfato de oseltamivir (Tamiflu®).

Antibióticos não são indicados no tratamento da Gripe, eles são úteis em doenças causadas por bactérias, como a gripe não é causada por bactérias mas por vírus, os antibióticos não são eficazes.

Quais os sinais de agravamento e as complicações da Gripe?

As complicações mais comuns são: Pneumonia bacteriana e por outros vírus, Sinusite, Otite, Desidratação, piora de doenças crônicas como insuficiência cardíaca, asma ou diabetes, Pneumonia primária por Influenza, que ocorre predominantemente em pessoas com doenças cardiovasculares (especialmente doença reumática com estenose mitral) ou em mulheres grávidas.

São sinais de agravamento: Aparecimento de falta de ar, taquicardia, persistência ou aumento da febre por mais de três dias e PIORA de doenças preexistentes. Na ocorrência destes sinais os pacientes com síndrome gripal devem retornar imediatamente ao serviço de saúde para reavaliação.

Como se prevenir da Gripe ?

Medidas gerais de prevenção são úteis e não devem ser esquecidas , são elas:

  • Lavar e higienizar frequentemente as mãos, principalmente antes de consumir algum alimento.
  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
  • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter os ambientes bem ventilados. Evitar aglomerações e ambientes fechados;
  • Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de gripe;
  • Ter hábitos saudáveis, com alimentação balanceada e ingestão de líquidos em abundância.

A vacinação anual contra influenza para grupos-alvos é a principal medida de prevenção, sendo recomendada pelo Ministério da Saúde com o apoio de diversas sociedades e entidades médicas. Ela está indicada mesmo para aqueles que receberam a vacina na temporada anterior, pois se observa queda progressiva na quantidade de anticorpos protetores.

De acordo com recomendações do Ministério da Saúde os grupos prioritários a serem vacinados são:

  • Crianças acima de 6 meses a menores de 5 anos;
  • Gestantes;
  • Puérperas;
  • Trabalhador de saúde;
  • Povos indígenas;
  • Indivíduos com 60 anos ou mais de idade;
  • População privada de Liberdade;
  • Funcionários do sistema prisional;
  • Pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis;
  • Pessoas portadoras de outras condições clínicas especiais (doença respiratória crônica, doença cardíaca crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica, doença neurológica crônica, Diabetes, imunossupressão, obesos, transplantados e portadores de trissomias).

Quais são os tipos de vacinas contra Influenza disponíveis?

Há 2 tipos diferentes de vacinas : a trivalente, e a tetravalente.

A trivalente está disponível na rede pública para os grupos prioritários e imuniza contra três tipos de vírus tipo, duas cepas A, A/H1N1 e A/H3N2 e uma cepa B.

A tetravalente, disponível apenas em clínicas particulares, contempla, além dessas três, uma segunda cepa B ou seja duas linhagens B e por isto confere uma maior proteção. Em ambos os casos está inclusa a imunização contra o vírus influenza do tipo A/ H1N1, que é o mais temido.

Ambas as vacinas são seguras , elaboradas com vírus inativos, com eficácia igual e com as mesmas indicações, contraindicações e esquema de dose.

“É importante reforçar que principalmente os grupos de maior risco para as complicações e óbitos por influenza, devem ser vacinados utilizando a vacina que estiver disponível e ao alcance.”