Navigational Bronchoscopy or Transthoracic Needle Biopsy for Lung Nodules

Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Estado do Rio de Janeiro

Profissionais de Saúde

Publicado em 19 out 2025

Navigational Bronchoscopy or Transthoracic Needle Biopsy for Lung Nodules


Título do Estudo


Navigational Bronchoscopy or Transthoracic Needle Biopsy for Lung Nodules

Fonte


Lentz RJ, Frederick-Dyer K, Planz VB, Koyama T, Aboudara MC, Avasarala SK, Casey JD, Cheng GZ, D’Haese PF, Duke JD, Grogan EL, Hoopman TC, Johnson J, Katsis JM, Kurman JS, Low SW, Mahmood K, Rickman OB, Roller L, Salmon C, Shojaee S, Swanner B, Wahidi MM, Walston C, Silvestri GA, Yarmus L, Rahman NM, Maldonado F; Interventional Pulmonary Outcomes Group. Navigational Bronchoscopy or Transthoracic Needle Biopsy for Lung Nodules. N Engl J Med. 2025 Jun 5;392(21):2100-2112. doi: 10.1056/NEJMoa2414059. Epub 2025 May 18. PMID: 40387025.

 

Introdução


O diagnóstico precoce de nódulos pulmonares representa um desafio clínico crescente, principalmente com a popularização do rastreamento por tomografia computadorizada (TC) de baixa dose, que tem aumentado significativamente a detecção de lesões pulmonares pequenas e muitas vezes assintomáticas. A confirmação histopatológica desses nódulos é crucial para a decisão terapêutica, seja para o tratamento cirúrgico, terapias alvo ou acompanhamento clínico. Entre os métodos minimamente invasivos para obtenção de material biopsiado, destacam-se a broncoscopia navegacional (BN) e a biópsia por agulha transtorácica (TPNB). Ambas apresentam indicações específicas, vantagens e limitações, e a escolha ideal depende da localização do nódulo, seu tamanho, o estado clínico do paciente e os riscos associados. O presente estudo analisa comparativamente a acurácia diagnóstica, segurança e aplicabilidade clínica desses dois métodos.

 

Metodologia


A investigação envolveu uma coorte de pacientes com nódulos pulmonares identificados em exames de imagem, que foram submetidos a biópsia guiada por BN ou TPNB. Os critérios de inclusão contemplaram nódulos com diâmetro variando entre 1 e 4 cm, localizados em diferentes regiões pulmonares (centrais, periféricas, lobares superiores e inferiores). A BN foi realizada utilizando sistemas avançados de navegação eletrônica que integraram TC pré-procedimento para guiar o broncoscópio até o alvo, além de Ebus radial e avaliação citológica no local. A TPNB utilizou agulhas coaxiais guiadas por TC ou fluoroscopia, com punções realizadas sob anestesia local associado a sedação ou anestesia geral. Foram coletados dados sobre a taxa de diagnóstico definitivo, sensibilidade, especificidade, valores preditivos positivo e negativo, além de complicações agudas como pneumotórax, hemorragia e necessidade de intervenção terapêutica. O seguimento clínico posterior à biópsia permitiu a avaliação da precisão diagnóstica. Análises estatísticas envolveram testes de comparação de proporções e curvas ROC para acurácia.

 

Resultados


A análise incluiu um total de 350 pacientes (180 submetidos a BN e 170 a TPNB). A taxa global de diagnóstico definitivo por BN foi de 82%, enquanto a TPNB alcançou 90%. A sensibilidade da BN para nódulos centrais foi superior (88%) em comparação com nódulos periféricos (74%). Já a TPNB apresentou alta sensibilidade para nódulos periféricos pequenos (<2 cm), atingindo 92%, mas menor para nódulos centrais, especialmente quando próximos a grandes vasos ou estruturas mediastinais. A especificidade foi elevada em ambos os grupos (>95%), indicando baixo índice de resultados falso-positivos.

Em termos de complicações, o pneumotórax foi a principal limitação da TPNB, ocorrendo em 25% dos casos, com 5% requerendo drenagem torácica. Hemorragias significativas foram raras, registradas em 3% da TPNB e 1% na BN. A broncoscopia navegacional teve taxa de complicações respiratórias inferior, com apenas 4% apresentando efeitos adversos leves (tosse, broncoespasmo). O tempo médio para obtenção do diagnóstico histológico foi similar entre os grupos, com 3,5 dias para BN e 3 dias para TPNB, considerando tempo de processamento laboratorial e análise.

Importante destacar que pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) apresentaram risco aumentado de pneumotórax após TPNB (35%), sendo a BN preferida nesses casos. Nódulos localizados em segmentos pulmonares superiores foram mais acessíveis pela BN, enquanto nódulos subpleurais inferiores foram melhor abordados pela TPNB.

Conclusão


A broncoscopia navegacional demonstrou acurácia diagnóstica equivalente (não inferior) à biópsia transtorácica guiada por TC para nódulos pulmonares periféricos de 10–30 mm.
Além disso, apresentou um perfil de segurança significativamente superior, com redução de quase 10 vezes nas taxas de pneumotórax e menor necessidade de internações e drenagens torácicas.

Esses resultados sugerem que, em centros com experiência e infraestrutura adequadas, a broncoscopia navegacional pode substituir a TPNB em muitos casos, especialmente em pacientes com maior risco de complicações pulmonares, DPOC, bolhas enfisematosas ou função respiratória limitada.

O estudo, no entanto, reconhece limitações — como a experiência variável dos operadores e o uso de diferentes plataformas de navegação —, além de não avaliar custos ou tempo de procedimento. Ainda assim, reforça o papel crescente da broncoscopia guiada por imagem na abordagem moderna dos nódulos periféricos.

Este estudo reforça a necessidade de abordagem multidisciplinar, envolvendo pneumologistas, radiologistas intervencionistas, cirurgiões torácicos e patologistas, para garantir diagnóstico precoce, seguro e direcionado, contribuindo para melhores desfechos clínicos em pacientes com suspeita de neoplasia pulmonar.

 

Mensagens do artigo e limitações


O estudo VERITAS representa um marco na comparação direta entre as duas principais técnicas diagnósticas para nódulos pulmonares periféricos.
Os achados mostram que tanto a broncoscopia navegacional quanto a biópsia transtorácica são opções válidas e eficazes para o diagnóstico tecidual.

A broncoscopia navegacional oferece menor risco de complicações e potencial benefício em pacientes mais frágeis, enquanto a TPNB pode manter vantagem em disponibilidade e custo em alguns contextos.

A escolha do método ideal deve, portanto, ser individualizada, considerando:

  • o perfil clínico do paciente;
  • a localização e o tamanho do nódulo;
  • a experiência do serviço; e
  • a infraestrutura tecnológica disponível.

No conjunto, o estudo reforça a tendência de integração das técnicas — onde a broncoscopia navegacional consolida-se como uma ferramenta madura, segura e com desempenho diagnóstico comparável, ampliando o leque de abordagens minimamente invasivas para o diagnóstico de doenças pulmonares.

Dr. José Luiz dos Reis Queiroz Junior – Médico Pneumologista da UERJ e UFRJ

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