Association between second-hand exposure to e-cigarettes at home and exacerbations in children with asthma

Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Estado do Rio de Janeiro

Profissionais de Saúde

Publicado em 26 set 2025

Association between second-hand exposure to e-cigarettes at home and exacerbations in children with asthma


Título do Estudo


Association between second-hand exposure to e-cigarettes at home and exacerbations in children with asthma

Fonte


Costantino S, Torre A, Foti Randazzese S, Antonio Mollica S, Motta Domenico Busceti F, Ferrante F, Caminiti L, Crisafulli G, Manti S. Association between Second-Hand Exposure to E-Cigarettes at HomeandExacerbations in Children with Asthma. Children 2024,11,356. https://doi.org/10.3390/children11030356.

 

Introdução


 Asma é a doença de via aérea mais comum no grupo com idade pediátrica. Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo sejam afetadas pela asma. No total, 5% dos pacientes asmáticos, experenciam um fenótipo severo caracterizado por exacerbações frequentes, necessidade de hospitalização, complicações e baixa qualidade de vida com impacto psicossocial significante. Implementação de medidas preventivas, como programas de educação do paciente, campanhas educativas e aumento do acesso a recursos para o manejo da asma, pode ajudar a reduzir as exacerbações da asma. Tabaco ambiental é universalmente descrita como fator de risco para exacerbações em pessoas asmáticas. É bem conhecido que o tabagismo representa a causa mais comum prevenível de mortalidade e morbidade no mundo. A redução de sua prevalência tanto na população adulta quanto pediátrica é uma das mais marcantes conquistas em saúde pública. Porém, especialmente entre adolescentes, o uso de cigarros eletrônicos se espalhou rapidamente, devido ao desenvolvimento de novos produtos, propaganda, promoção, e estratégias de marketing que sugere que o vape é uma solução livre de risco. Contudo, se sabe que o vape representa um fator de risco independente, mesmo em pessoas saudáveis que não são fumantes habituais, pelo desenvolvimento de sintomas respiratórios como broncoconstrição e tosse. A relação entre a exposição passiva aos aerossóis dos cigarros eletrônicos e um aumento do risco para desenvolvimento de sintomas respiratórios como dispnéia e bronquite foi recentemente provada. Porém, existem poucos estudos correlacionando os sintomas de asma e exposição de segunda mão, aos aerossóis dos cigarros eletrônicos em uma população pediátrica com diagnóstico de asma.

 

Métodos


Estudo retrospectivo, unicêntrico, observacional, conduzido de 1/1 a 1/5 de 2023 na unidade pediátrica do hospital “Gaetano Martino”, da universidade de Messina, Itália.

Um total de 54 crianças asmáticas foram incluídas neste estudo. Especificamente, 39 crianças com asma intermitente, 9 com asma moderada, e 6 com asma severa foram recrutadas, com uma média de duração de doença de 3.4+/- 3.1 anos. No total, 65% tinham entre 5-11 anos de idade, e 35% tinha de 12-17 anos. Com relação à exposição aos aerossóis do cigarro eletrônico, os participantes foram divididos em 2 grupos: grupo A, incluindo 27 pacientes expostos, e grupo B, incluindo 27 pacientes não expostos. As informações foram analisadas utilizando o Excel Microsoft 2023, e o Pacote Estatístico para Ciências Sociais versão 22.0.

 

Resultados


A análise das informações coletadas, revelaram que o número de exacerbações no ano anterior foi maior no grupo A. Todos os pacientes tinham boa aderência ao tratamento, e seguiam as recomendações para o uso correto do inalador e do espaçador. Com relação ao tratamento, no momento da seleção dos pacientes, todos usavam corticóides inalatórios de acordo com step 1 ou 2 do GINA, exceto por 2 pacientes tratados com omalizumab. Os pacientes do grupo A precisaram mais frequentemente de terapia de resgate. Além disso, 44% dos pacientes do grupo A necessitaram de terapêutica step up, enquanto o grupo B, 29,6%. Em relação ao controle da asma, a média dos valores do ACT e do c-ACT, foram, respectivamente 17.2 +/- 7.6 e 18.3 +/- 5.6 no grupo A e 19.6+/- 3.8 e 14.6 +/- 5.8 no grupo B (p= 0.3 e p= 0.4). Todos os resultados não tiveram significância estatística.

Discussão


 O objetivo deste estudo foi demonstrar a existência da relação entre a exposição passiva aos aerossóis do cigarro eletrônico e exacerbações de asma em uma população de crianças asmáticas dos moradoras do sul da Itália. Embora os resultados não mostrando significância estatística, os resultados sugerem uma conexão entre estes dois fatores. O estudo mostrou claramente que pacientes expostos aos aerossóis dos cigarros eletrônicos, de segunda mão, necessitaram de um tratamento mais agressivo em termos de frequência de necessidade de terapia de resgate, dentre outros achados.

 

Conclusão


 O estudo ressaltou a importância da prevenção da epidemia do VAPE e da exposição passiva aos cigarros eletrônicos, mesmo entre crianças e adolescentes. Ainda que os achados do estudo necessitem de confirmação por futuros estudos longitudinais, considerando o rastreamento para e documentação exposição de segunda mão aos aerossóis dos cigarros eletrônicos entre crianças e adolescentes com asma, pode ser benéfico para os profissionais de saúde. Incorporando a exposição aos aerossóis dos cigarros eletrônicos como um potencial gatilho no auto manejo da asma, planos de ação e atualização dos guidelines, incluindo questões relacionadas ao vape. Ressalta-se também a importância de legislação apropriada que restrinja o acesso aos produtos do vape para menores, reforçando as penalidades para aqueles que vendam para crianças, e a implementação de medidas para cessar o marketing desses produtos entre crianças e adolescentes.

Limitações


O tamanho da amostra pode não ter sido o suficiente para resultados com significância estatística.

A avaliação dos aerossóis do vape, da exposição de segunda mão, acrescentariam maior robustez ao estudo.

O estudo teve um tempo pequeno de acompanhamento dos participantes do estudo.

Dra. Alessandra Alves da Costa, pneumologista, TEPT pela SBPT, Mestre em Ciências Médicas-UERJ, Médica pneumologista do HGB

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