Morphine for chronic breathlessness (MABEL) in the UK: a multi-site, parallel-group, dose titration, double-blind, randomised, placebo-controlled trial

Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Estado do Rio de Janeiro

Profissionais de Saúde

Publicado em 15 dez 2025

Morphine for chronic breathlessness (MABEL) in the UK: a multi-site, parallel-group, dose titration, double-blind, randomised, placebo-controlled trial


Título do Estudo


Morphine for chronic breathlessness (MABEL) in the UK: a multi-site, parallel-group, dose titration, double-blind, randomised, placebo-controlled trial

Fonte


 Miriam J Johnson, Bronwen Williams, Catriona Keerie, Sharon Tuck, Simon Hart, Sabrina Bajwah, Nazia Chaudhuri, Mark Pearson, Judith Cohen, Rachael A Evans, David C Currow, Irene J Higginson, Peter Hall, Marek Atter, John Norrie, Marie T Fallon, on behalf of the MABEL collaborative* –  Lancet Respir Med 2025; 13: 967–77; Published Online September 28, 2025 https://doi.org/10.1016/ S2213-2600(25)00205-X

 

Introdução


A dispneia associada a doenças crônicas cardiorrespiratórias e câncer tem grande impacto na qualidade de vida desses pacientes, além de maior uso e custos não programados de serviços de saúde. Há uma boa justificativa para uso de opioides para tratamento da dispneia crônica, pois a percepção da dispneia é processada em áreas cerebrais ricas em receptores opioides, além de outros achados em estudos laboratoriais; porém, essa eficácia não tem sido observada em ensaios clínicos.  O estudo MABEL teve como objetivo avaliar a eficácia, custo, consequências e segurança da morfina oral de ação prolongada e baixa dose, durante 4 semanas, para a redução da dispneia em pessoas portadoras de doenças crônicas.

 

Métodos


Ensaio clínico de fase 3, de grupos paralelos, duplo-cego e controlado por placebo, realizado em 11 centros, randomizou adultos 1:1, estratificados por local e doença causal, com uma pontuação de 3 ou mais na escala modificada do MRC para dispneia, devido a condições cardiorrespiratórias, para receber 5 a 10 mg de morfina oral de longa duração duas vezes ao dia ou placebo durante 56 dias. O desfecho primário foi a pior pontuação de dispneia nas últimas 24 horas no dia 28, medida usando uma escala numérica de classificação (NRS; 0 = sem dispneia; 10 = pior dispneia imaginável). Os desfechos secundários incluíram níveis de atividade física, pior pontuação de tosse, qualidade de vida e toxicidades relacionadas à morfina. Os pacientes que receberam pelo menos uma dose do medicamento do estudo foram elegíveis para inclusão nas análises de eficácia e segurança.

 

Resultados


Entre 18 de março de 2021 e 26 de outubro de 2023, 143 participantes foram aleatoriamente designados para receber morfina (73 participantes) ou placebo (67 participantes). Não foram encontradas evidências de diferença na pior dispneia no dia 28 (morfina 6,19 [IC 95% 5,57 a 6,81] vs placebo 6,10 [5,44 a 6,76]; diferença média ajustada 0,09 [IC 95% –0,57 a 0,75], p=0,78) ou em qualquer medida secundária, exceto pela melhora na tosse observada no dia 56 (diferença média ajustada –1,41 [–2,18 a –0,64]). Observou-se um aumento na atividade física moderada a vigorosa no dia 28 (diferença média ajustada 9,51 min/dia [0,54–18,48]), mas isso não foi significativo após a correção para múltiplas medidas. O grupo da morfina apresentou mais eventos adversos (251 vs. 162), especialmente gastrointestinais.

 

Discussão


No dia 28, não foi encontrada evidência significativa de diferença entre os grupos para dispneia ou outros desfechos; no dia 56, houve alguma evidência de melhora na tosse no grupo da morfina. Houve mais eventos adversos no grupo da morfina, mas estes foram principalmente leves e relacionados à primeira semana de tratamento ou ao aumento da dose, e a adesão foi boa. Não houve depressões respiratórias nem mortes devido à morfina. Houve excesso de internações hospitalares no grupo da morfina, mas apenas três foram atribuíveis à morfina. Em relação aos níveis de atividade física, o MABEL mostrou uma redução média no comportamento sedentário de 20 minutos e um aumento de 10 minutos na atividade moderada a vigorosa no grupo da morfina em comparação com o placebo. Embora a redução no comportamento sedentário não seja significativa e seja imprecisa, e independentemente da precisão da categorização do nível de atividade, essa descoberta representa uma área potencial para pesquisas futuras.

Conclusões


O estudo MABEL não demonstrou benefício da morfina para o desfecho primário de dispneia. No entanto, os resultados dos desfechos secundários, como algumas evidências de benefício na tosse e atividade física, algumas evidências de ausência de diferença, como danos neurocognitivos ou respiratórios relacionados à morfina e novas descobertas sobre os danos relacionados à morfina, como síndrome de abstinência da morfina e constipação, indicam que são necessárias mais pesquisas para compreender plenamente o papel da morfina em pessoas que vivem com dispneia crônica.

Drª. Mônica Flores Rick

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