Publicado em 27 jul 2025
Obstructive Sleep Apnea in Patients with Fibrotic Interstitial Lung Disease (Nonidiopathic Pulmonary Fibrosis): What Should be Offered?
Título do Estudo
Obstructive Sleep Apnea in Patients with Fibrotic Interstitial Lung Disease (Nonidiopathic Pulmonary Fibrosis): What Should be Offered?
Fonte
Cardoso CG, Valente C, Serino M, Rodrigues I, Carvalho A, Coelho DB, Bastos HN, Mota PC, Morais A, Drummond M. Obstructive sleep apnea in patients with fibrotic interstitial lung disease (non-idiopathic pulmonary fibrosis): what should be offered? J Bras Pneumol. 2024 Dec 6;50(5):e20240058. doi: 10.36416/1806-3756/e20240058. PMID: 39661832; PMCID: PMC11601067.
Introdução
Vários estudos demonstraram uma frequência elevada (20-80%) de Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) em pacientes com Doenças Pulmonares Intersticiais (DPI), especialmente aqueles com fibrose pulmonar idiopática (FPI). Embora a relação entre AOS e DPI permaneça indeterminada, parece haver uma relação bidirecional.
As diretrizes para o diagnóstico e tratamento da FPI reconhecem a AOS como uma comorbidade comum, associada a pior qualidade do sono e de vida, bem como a desfechos potencialmente piores. O tratamento da AOS com terapia de pressão positiva nas vias aéreas (PAP) é recomendado, pois demonstrou melhorar a qualidade de vida relacionada ao sono e, possivelmente, a mortalidade.
Métodos
Foram incluídos 50 pacientes com DPI fibrótica não-FPI. Todos preencheram a Escala de Sonolência de Epworth (ESE) e realizaram tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR), teste domiciliar para apneia do sono (polissonografia tipo 3) e testes de função pulmonar.
A terapia com PAP foi oferecida a todos os pacientes com AOS grave e àqueles com AOS leve e moderada com sonolência diurna, doença cardiovascular ou ambos. Os pacientes com indicação de PAP classificaram sua percepção de tosse e dispneia em uma escala de 0 (mínimo) a 10 (máximo) e preencheram o 36-item Short-Form Health Survey (SF-36) antes e 3 meses após o início do tratamento com PAP.
Três meses após o início da terapia com PAP, os pacientes foram avaliados quanto à adesão, à sonolência diurna excessiva e efeitos colaterais. Aqueles com hipoxemia noturna identificada no momento do diagnóstico foram submetidos a oximetria noturna enquanto recebiam terapia com PAP.
Resultados
O diagnóstico de AOS foi confirmado em 38 pacientes (76%). Destes, 20 (52,6%) apresentavam AOS leve, 13 (34,2%) moderada e 5 (13,2%) grave.
Os pacientes com AOS apresentaram CPT significativamente menor (84% vs. 98,3%; p = 0,033), SpO2 em vigília menor (96% vs. 98%; p = 0,023). Uma CPT ≤ 80% do previsto foi associada a uma probabilidade de AOS > 82%.
Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos de pacientes com e sem AOS em relação ao gênero, idade, tabagismo, comorbidades, índice de massa corporal (IMC), escores da ESE, DLCO, padrão PIU em TCAR ou extensão da fibrose em TCAR.
Dos 38 pacientes com AOS, 14 receberam terapia PAP. Destes, 2 recusaram o tratamento e somente 8 pacientes (66,7%) apresentaram adesão adequada após 3 meses de tratamento. Seis pacientes tinham hipoxemia noturna significativa (tempo total de sono com SpO2 abaixo de 90% > 20%) e a oximetria noturna em uso de PAP mostrou correção da hipoxemia em todos eles.
Conclusões
Foi encontrada uma elevada frequência de AOS em uma população de pacientes com DPI fibrótica não-FPI, mesmo na ausência de sintomas típicos, como sonolência diurna. Uma CPT baixa correlacionou-se com maior risco de AOS.
Limitações e mensagens do artigo
Uma das limitações deste estudo limitação é a heterogeneidade da população do estudo, com diferentes formas de DPI fibrótica não-FPI. Outra é a possível subestimativa da frequência de AOS neste grupo, uma vez que os pacientes com diagnóstico prévio de AOS e os pacientes mais graves foram excluídos (hipertensão arterial pulmonar, hipoxemia diurna e internação hospitalar por exacerbação de DPI nos últimos 3 meses). Além disso, a polissonografia tipo 1 seria mais apropriada nesta população uma vez que a tipo 3 pode estimar o Índice de Apneia-Hipopneia. Outras limitações sérias foi o pequeno número de pacientes avaliados com PAP e a falta de grupo controle.
Este estudo chama atenção para a diferença entre o percentual de pacientes previamente diagnosticados com AOS (19% do grupo inicial de 122 pacientes) e o encontrado no estudo (76%). Deve haver um limiar baixo para suspeita de AOS e início da terapia com PAP em pacientes com DPI fibrótica não relacionada à FPI, pois a terapia com PAP pode corrigir a hipoxemia noturna. Como a CPT ≤ 80% foi associada a uma probabilidade de AOS > 82%, os autores sugerem este ponto de corte de CPT para decidir quais pacientes devem ser submetidos à polissonografia.
Dra. Anamelia Costa Faria é especialista em Medicina do Sono e em Pneumologia e é médica do serviço de Pneumologia da UERJ



