Publicado em 27 jun 2025
Peak Inspiratory Flow and Inhaler Prescription Strategies in a Specialized COPD Clinical Program – A Real-World Observational Study
Título do Estudo
Peak Inspiratory Flow and Inhaler Prescription Strategies in a Specialized COPD Clinical Program – A Real-World Observational Study
Pico de Fluxo Inspiratório e Estratégias de Prescrição do Inalador em um Serviço Especializado em DPOC- Um Estudo Observacional do Mundo Real
Autores
Sarah Pankovitch, MD; Michael Frohlich, MD; Bader AlOthman, MD; Jeffrey Marciniuk, MD; Joanie Bernier, ACNP, MScN; Dorcas Paul-Emile, RT; Jean Bourbeau, MD; and Bryan A. Ross, MD
Fonte
CHEST 2025; 167(3):736-745
Premissa
Os modelos de inalador para DPOC devem ser adequados ao pico de fluxo inspiratório (PIF) do paciente e, idealmente, devem consistir em um único dispositivo ou mais que um, porém similares.
Em uma clínica especializada em DPOC: (1) Qual é a prevalência de pacientes com PIF subótimo e com dispositivo(s) inadequado(s) para PIF medido? (2) Existem fatores de risco relacionados ao paciente associados ao PIF subótimo? (3) Qual é a prevalência de pacientes com terapia inalatória não única (TI)/dispositivos não similares? (4) O PIF no local de atendimento afeta a tomada de decisão clínica?
Métodos
Neste estudo observacional unicêntrico e de mundo real, o PIF foi medido sistematicamente em cada consulta ambulatorial em uma clínica especializada em DPOC, e os resultados obtidos no ponto de atendimento foram fornecidos ao médico. Os desfechos coprimários foram a prevalência de pacientes ambulatoriais com PIF subótimo e com dispositivos inadequados para a medição do PIF. Os desfechos secundários foram os fatores de risco relacionados ao paciente associados ao PIF subótimo, a prevalência de dispositivos não terapia com inalador único (SIT)/não similares, a prevalência de regimes que consistem em dispositivos inadequados para a medição do PIF e/ou dispositivos não SIT/não similares, e o efeito do PIF no ponto de atendimento na tomada de decisão clínica.
Resultados
PIF subótimo foi identificado em 45 dos 161 participantes (28%), e dispositivos inadequados para a medição do PIF foram identificados em 18 participantes (11,2%). Associações significativas foram observadas entre PIF subótimo e idade (1,09; IC de 95%, 1,04-1,15), sexo feminino (10,30; IC de 95%, 4,45-27,10), altura (0,92; IC de 95%, 0,88-0,96), IMC (0,90; IC de 95%, 0,84-0,96) e VEF1 (0,09; IC de 95%, 0,03-0,26). Após ajuste para idade e sexo, a associação entre PIF subótimo e IMC, mas não altura, permaneceu significativa. Dispositivos não SIT e/ou não similares foram identificados em 50 participantes (31,1%). Regimes que consistiam em dispositivos inadequados para o PIF medido e/ou dispositivos não SIT/não similares foram observados em 59 participantes (36,6%). Alterações na prescrição de inaladores foram observadas neste último grupo (3,39; IC de 95%, 1,76-6,64), bem como em pacientes com PIF subótimo que já possuíam regimes SIT/similares (2,93; IC de 95%, 1,07-7,92).
Interpretação
PIF abaixo do ideal e dispositivos inadequados para aferição do PIF foram altamente prevalentes entre pacientes ambulatoriais de uma clínica especializada em DPOC. Estes resultados mostram que sexo feminino, VEF1 reduzido e IMC baixo são fatores de risco importantes e facilmente identificáveis para PIF abaixo do ideal, e o PIF no local de atendimento pode subsidiar a tomada de decisões clínicas.
Limitações
Em primeiro lugar, este estudo teve um delineamento observacional e, portanto, os resultados devem ser interpretados dentro do contexto de potenciais fatores de confusão não mensurados. Em segundo lugar, este estudo foi realizado em um único centro com uma população composta principalmente por pacientes com DPOC com obstrução moderada, grave e muito grave do fluxo aéreo. Pacientes com formas mais leves de DPOC foram sub-representados, o que limita a generalização desses achados em todo o espectro da doença e no ambiente de atenção primária. Hábitos locais de prescrição no local do estudo podem ter influenciado (subestimado) a prevalência observada de dispositivos inadequados para a medição do PIF, o que também impacta a generalização. Em terceiro lugar, embora o teste sistemático de PIF tenha sido implantado como uma iniciativa de melhoria da qualidade e visasse alcançar todos os pacientes ambulatoriais no programa clínico, apenas os participantes com um formulário padronizado de PIF preenchido no prontuário eletrônico foram incluídos, deixando a possibilidade de viés de seleção, o que é difícil de corrigir em um estudo do mundo real. Em quarto lugar, as inferências feitas em relação ao processo de pensamento e à motivação do clínico no uso dos valores do PIF no ponto de atendimento para informar modificações/otimização da prescrição de inaladores foram limitadas à revisão retrospectiva de prontuários. Por fim, o pequeno número de participantes com testes repetidos de PIF ao longo do período do estudo e a curta duração do estudo também foram limitações para determinar com segurança a estabilidade do PIF entre as visitas.
Dr. Jorge Eduardo Pio



